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resenha | VERAS II — O fim da festa também é pop

Para quem ainda não conhece, a Vera Fischer Era Clubber é uma banda de Niteroi formada por Pek0 (bateria), Malu (baixo), Vickluz (teclados) e Crystal (voz) que vem transformando o imaginário da noite em matéria-prima: pop, eletrônico, punk, sexo, humor, exagero e experimentação aparecem misturados em uma estética entre o glamour fino e o underground sujo.

Em VERAS II, a banda volta para a pista sem aquela preocupação ou pressão de um segundo disco e mais a vontade de bagunçar tudo de novo. Se o primeiro disco ajudou a apresentar o universo das Veras, o segundo parece mais interessado em descobrir os personagens dele.

Foto: Vera Fischer Era Clubber por Filipe Braga.

A maquiagem já não está intacta, o suor tomou conta da roupa, alguém perdeu alguma coisa e ninguém sabe exatamente que horas são. Ainda tem música tocando, mas a festa já mudou de natureza. VERAS II, parece existir justamente nesse momento.

“Quero Que Se Foda” dá o primeiro empurrão, e é difícil imaginar uma musica mais adequada. Não porque as Veras tenham simplesmente abandonado qualquer preocupação musical ou como uma resposta às críticas e ao hype após a apresentação no programa Cultura Livre, mas porque VERAS II parece construído justamente a partir da recusa em escolher uma única forma de existir. É tudo junto e misturado mesmo, é eletrônico, mas não precisa ser dance. É pop, mas sem querer agradar ninguém, é punk mas sem ser rock.

As faixas avançam como uma noitada que vai ficando progressivamente mais estranha e caótica, e aí que vai ficando boa. A sequência“Feitiço”, “Amor de Anjo” e “É O Pico, É O Ápice” alternam entre sensualidade, exagero e a euforia da pista de dança, vivendo no aqui e agora. Já a sequência “Grito, Dano e Possessão”, “Prantos” e “Vesúvio” tornam o disco mais pesado, o foco sai da pista e vai para o dançante, letras mais introspectivas, a ressaca moral batendo e o álcool saindo do corpo e aquela sensação de ‘’que que eu fiz hoje meu Deus..’’ é  quando fica claro que as Veras não estão interessadas apenas na farra, mas também no que existe depois dela.

Foto: Vera Fischer Era Clubber por Filipe Braga.

O mais interessante em VERAS II está justamente nessa falta de interesse em permanecer inteiro. A produção faz questão de embaralhar e misturar suas referências de synthpop, techno, pós-punk, funk e pop. O álbum é debochado e vulnerável na mesma faixa, sofisticado e cafona no mesmo gesto, pop e esquisito sem precisar resolver nenhuma dessas combinações.

No fim, VERAS II deixa as Veras exatamente onde parecem gostar de estar: entre o glamour e o ruído, com o figurino ainda brilhando e o som deliberadamente fora do lugar.

Ouça: Prantos e É O Pico, É O Ápice

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