Na noite do dia 27 de julho, a Jai Club, em São Paulo, recebeu uma verdadeira celebração da cena independente com a festa de lançamento do EP Rewind, da banda Vício. No palco, além do quarteto de Americana (SP), nomes como Jonabug, Pedro Lanches e Magnólia mostraram que o indie brasileiro pulsa em diversas frequências, e que todas vibram em sintonia.
O trabalho, como o nome sugere, é uma espécie de rebobinar emocional. Traz três faixas do álbum Vício, agora regravadas do zero, e uma inédita – “A Ligação”. Mas o que leva uma banda jovem, em plena evolução, a olhar para trás tão cedo?
A resposta vem com afeto e convicção: “Veio de uma vontade de dar um segundo gás para músicas que a gente ama, mas que talvez tenham passado despercebidas antes”, explica Júlia. Em complemento, Tiago diz que a chegada a um novo selo, o novo time criativo e o estúdio em São Paulo, em um momento efervescente do rock local, foram os catalisadores desse reencontro. “No momento em que gravamos o primeiro disco, São Paulo ainda não vivia o que está vivendo agora. Hoje tem um movimento acontecendo, tem uma nova cena de rock. E a gente quis colocar nossa voz nisso”, complementa.
“A Ligação” já dá pistas do futuro da banda, e ele brilha em tons cromados. “A estética do álbum que vem é toda baseada em referências visuais que a gente pesquisou enquanto escrevia as músicas”, contam. “Teve muito Andy Warhol, muito cromado, muita raiva e revolta pop. A gente montou uma pasta visual antes mesmo de gravar.” A estética, fria e prateada, ganhou forma também com a ajuda da diretora criativa Bia Souza, que há tempos colabora com a banda e é responsável pelos visuais cinematográficos dessa nova fase.
Ainda sobre a faixa, Tiago conta que “[…] ela surgiu lá em 2021, num momento que a gente tava compondo o álbum, mas ficou guardada. No fim de 2024, quando a gente começou a escrever de novo, ela voltou com tudo. Era a música mais rock da leva, e fez muito sentido no EP.”
Se as músicas antigas foram transformadas, foi porque o próprio grupo mudou. “Tinha coisas nas letras que já não cabiam mais dentro da gente. E quando e onde a gente não se reconhecia mais, a gente reescreveu, refez”, dizem. “A gente ainda se vê nessas músicas, mas hoje com outra perspectiva.” A faixa “Eu não to bem”, por exemplo, nasceu de uma reformulação total de “Eu to bem”, reflexo direto do amadurecimento emocional e artístico.
A produção do EP também surpreende com o nome de Koba, ex-Restart, que trouxe o peso pop e uma paleta sonora inesperada, mas totalmente conectada com o que a banda queria alcançar. “A gente ficou assustado no começo, tipo ‘mano, será que vai casar?’. Mas ele chegou com referências que eram muito nossas também. Falou de Lou Reed, de Pixies, de várias coisas que estávamos ouvindo na época. O cara é um nerd de música. E trouxe umas ideias que mudaram tudo. A primeira mix de ‘A Ligação’ que ele fez era completamente louca, muito diferente da que a gente tem hoje, e eu amo.”, conta Tiago, e ainda revela a vontade de recuperar a versão e soltá-la um dia.
E tem mais por vir. Na próxima quarta-feira, dia 6 de agosto, a banda lança uma live exclusiva gravada no mesmo estúdio do EP. O material inclui performance das músicas e mais detalhes sobre o projeto. É o prenúncio do que será o álbum, com previsão de chegada entre novembro e janeiro, e que, segundo os integrantes, carrega a estética mais refinada que a banda já construiu.
E se alguém ainda estiver se perguntando que som é esse que a Vício faz, eles não pensam muito: “É rock autotunado”, dizem, sem medo do rótulo.
Ouça Rewind nas plataformas digitais.

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