Conheci o NEEVE em 2021 e foi amor à primeira vista. Ainda no período de pandemia, fuçando no TikTok, fui apresentada aos garotos alemães Axel, Marius, Philipp e Felix, os primos e irmãos crescidos em Stuttgart, no sul da Alemanha, que decidiram se unir e fazer música cantada em inglês.
Apesar da paixão pela música uni-los desde sempre, foi só em 2018 que o quarteto abraçou essa faceta artística de forma profissional. Desde então, lançaram 1 álbum completo, alguns EP’s e vários singles, sempre aproveitando das redes sociais como extensão natural em seu processo criativo e de divulgação.
Esse é, inclusive, um dos pontos fortes da NEEVE; sua habilidade em usar as redes sociais, especialmente o TikTok, para se conectar com seu público, fez com que a banda pudesse construir uma comunidade sólida em torno de seu trabalho.
Através das redes, a banda compartilha seu processo criativo, além de conversar sobre temas que permeiam suas músicas e dividir os percalços de se promover enquanto artista independente. Essa interação genuína com os fãs garantiu a NEEVE ouvintes ao redor do mundo, especialmente nos Estados Unidos, e também fez com que ela chegasse até mim.
MONOCHROME I – FAIXA POR FAIXA
No último 10 de outubro, a banda lançou seu mais novo trabalho, MONOCHROME. Na resenha de hoje, apresentamos um Faixa por Faixa desse EP que não sai do nosso repeat; confira:
KEEP ME ALIVE
KEEP ME ALIVE é um cartão de visita de respeito. Com um baixo pulsante que dá o tom de como o EP vai se desenrolar e um refrão pegajoso, ela abre MONOCHROME I com um impacto que cativa imediatamente e faz a gente esquecer de que não se trata de mais uma daquelas músicas saídas de estúdios de alto nível; essa é indie raiz!
O violão suave na segunda metade adiciona uma camada inesperada a faixa, aquecendo o ouvinte para um segundo refrão ainda mais vibrante e ritmado.
O clipe de KEEP ME ALIVE veio ao mundo no dia 12, dois dias após o lançamento do EP, e mostra uma NEEVE enérgica, entregue ao ofício e muito estilosa (rs).
THE KIDS ARE GONNA LOVE THIS
THE KIDS ARE GONNA LOVE THIS pode ser a faixa mais discreta, mas ainda assim tem seu charme. Com sintetizadores que evocam aquela energia jovem e animada, essa música é refrescante, perfeita para quem busca o puro suco do indie pop. A NEEVE consegue capturar a essência do que faz a “nova geração” vibrar — uma sonoridade que promete conquistar e entrar para as playlists.
I CAN’T WRITE A SAD SONG
I CAN’T WRITE A SAD SONG traz, mais uma vez, a vibe nostálgica que permeia pelo EP, mas de uma forma diferente das faixas anteriores, além de ser mais inclinada ao indie rock. É uma música que poderia facilmente fazer parte da trilha sonora de uma daquelas tardes descompromissadas em que a gente rolava pelo Tumblr, deitado na cama depois da escola.
Essa é uma melodia reconfortante e que, segundo a própria banda, tem como objetivo trazer a sensação de “se sentir incrível em sua própria pele” e “superar coisas que te colocam pra baixo, mesmo que seja só por um dia, uma noite ou uma música na companhia de suas pessoas favoritas”. O groove leve se mistura a influências que lembram The 1975, fazendo você querer dançar sem se preocupar com mais nada, tornando-a uma canção irresistível para quem busca um escape sonoro.
PATIENCE
A quarta faixa, “PATIENCE”, intensifica a energia do EP com aquele baixo robusto que a gente já viu por aqui, mas que agora é ainda mais proeminente. Essa faixa tem um apelo instantâneo, embalada por uma voz rouca o suficiente para arranhar esse disco e fazer você querer ouvir a faixa de novo e de novo e de novo.
E PATIENCE não estreou de qualquer jeito não, viu? Os alemães uniram forças com mais de 20 artistas talentosíssimos e prepararam um vídeo super completo, com direito à roteiro, equipe de dançarinos, atores e o apoio de Tobias Ade, responsável pelas fotos da nova era e pela direção/produção da faixa KEEP ME ALIVE.
“[…] sabendo que tudo isso foi feito sem nenhum selo, nenhum apoio financeiro; só uma pequena banda indie […] Ter controle total sobre nossa própria arte é realmente lindo e gratificante. Por favor, vá e assista a coisa toda, nós colocamos muita paixão e amor nisso”, escreveu NEEVE, na descrição do vídeo postado em seu canal oficial do YouTube.
PALM OF MY HAND
PALM OF MY HAND segue a linha dançante e se inclina mais para o pop rock, que lembra os sons vibrantes da era-tumblr-2014 – como os de 5 Seconds of Summer, por exemplo -, mas sempre capturando essa essência com muita autenticidade.
Assim como várias outras canções de NEEVE, PALM OF MY HAND ganhou uma “live session” postada na conta oficial da banda. No clima “banda de garagem”, só que muito mais refinado, tudo é gravado e editado no formato vertical, reforçando o papel das redes sociais na divulgação das canções.
LOOK AT ME NOW
Fechando o EP, vem a potente LOOK AT ME NOW. Com uma pegada mais rock do que pop, a faixa é uma declaração de autoconfiança, como um grito de um artista que sabe o que quer e o que vai entregar.
Com seus vocais arrastados – por algumas vezes, sussurrados – Félix desliza pelas notas de guitarra de uma maneira delirante, criando um apelo irresistível para a faixa que é o clímax perfeito para MONOCHROME I.
Considerações finais
Juntando influências clássicas – e muito bem exploradas – que vão de The Kooks a Declan Mckenna, NEEVE traz o “molho” europeu ao indie pop, fazendo deste EP um tesouro que vale a pena conferir.
Com MONOCHROME I, NEEVE definitivamente se (rea)firma como uma das promessas mais interessantes do cenário musical atual, e vale a pena ficar de olho neles. Quer se apaixonar? Dá um play aqui:

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