A juventude é, incessantemente, concluir tudo e (verdadeiramente) não saber de nada. É, acima de tudo, um campo fértil de aventuras e descobertas. Mas que, inevitavelmente, parece estar em uma constante batalha contra o peso da expectativa, na qual a busca por significado pode ser esmagadora e solitária. Hana Vu, a jovem artista americana que começou a desbravar o mundo da música desde muito cedo (sua primeira turnê foi aos 14 anos!), traz um reflexo dessa complexa realidade em seu segundo álbum, Romanticism.

Se há algo que Romanticism deixa claro é que Vu não é mais do mesmo. Em contraste com o cenário musical que muitas vezes segue fórmulas pré-estabelecidas, esse novo álbum se apresenta de forma introspectiva e corajosa, explorando as profundezas da experiência juvenil com uma sinceridade crua. É um disco que explora as camadas da autoidentificação com um teor melancólico quase reconfortante, questionando tudo aquilo que se é, acredita e conhece.

A capa do álbum, uma recriação provocadora da pintura Judite decapitando Holofernes, de Artemisia Gentileschi, serve como uma metáfora visual potente, onde a imagem de Vu como a do (dominado) general Holofernes ressoa com a maneira como ela enfrenta sua própria batalha emocional e artística, sujeita às suas próprias lutas e vulnerabilidades, pincelando todo o álbum com tons intensos e contrastantes.

Musicalmente, Romanticism é uma obra de dinamismo, repleta de momentos de lamentações e vulnerabilidade, mas que também abre espaço para a energia vibrante da juventude. Isso porque o álbum não se limita a um estilo único e faz uma mistura tanto inovadora quanto familiar dos estilos já adotados por Vu, retomando – de forma melhorada – um indie rock poderoso, com guitarras dedilhadas, baixo ascendente e uma voz potente e carregada de emoção.
O resultado é um trabalho amargamente melancólico, mas que nunca deixa de ter aquele retrogosto contagiante, apostando em uma mistura rica de sintetizadores cintilantes e instrumentação robusta que refletem a evolução estilística de uma artista que abraça todas suas facetas.
Ora questionando processo de envelhecimento (como na faixa Airplaine), ora imaginando uma existência menos dolorosa sobre um pano de fundo de dance-pop provisório (que é o caso de Dreams), a jornada emocional de Vu canta sobre as coisas tristes e confusas, mas também é pontuada por momentos de resiliência e brilho.
No final, Romanticism não é apenas um álbum de amadurecimento; é mergulhar na essência da juventude e das suas complexidades, demonstra uma profundidade e uma maturidade emocional que fazem de Hana Vu uma figura intrigante no cenário indie atual.

E aí, te convenci a dar uma chance? Ouça Romanticism, siga a Hana nas redes sociais (clicando aqui) e fique de olho nas próximas críticas do Indie Influx.
Até a próxima! ☻

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